terça-feira, 7 de janeiro de 2014

"fuga" - um algo que se encontra

"As passadas eram cada vez mais aceleradas. A batida do seu coração soava cada vez mais alto. A respiração tornara-se de tal forma ofegante que, por breves momentos, pensou que aquele era o seu fim. Mas não podia ser. Tinha de continuar a fugir. Era imperativo afastar-se daqueles sons, daquelas imagens, daqueles movimentos... daquele ser indefinido e incerto que a perseguia num labirinto tortuoso sem saída aparente.
O andar rápido foi substituído por uma corrida desastrada. A batida, outrora tão alta como os seus próprios pensamentos, era agora completamente inaudível, também ela suspensa pelo pânico. De onde vinha. Para onde ia. Perguntas indeterminadas. Sem resposta.
Mas tinha de continuar. Ela apenas sabia que parar era morrer sufocada, afogada no tempo para sempre.
Tropeçou. Caiu. Levantou-se. A dor física era tão doce comparada com tudo aquilo que sentia. Desejou-a, com todas as suas forças, numa esperança ingénua de que esta pudesse camuflar o seu sofrimento. 
Foi então que reparou nas lágrimas, densas e abundantes, a escorrerem-lhe pelo rosto e a caírem delicadamente sobre o seu pescoço nu. Odiou-se a si mesma por ser assim tão frágil, e passou a mão agressivamente pela face, como que a afastar a fraqueza para o mais longe possível."

Excertos de um 'algo' escrito em Setembro/Outubro de 2013 que foi deixando aqui, perdido no tempo, ao acaso, sem um fim definido... Mas, pensando melhor, terá tudo de ter um fim? 

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