Sendo a pessoa que passou a adolescencia a acreditar que nunca teria uma relação, terminar a que tinha foi a coisa mais difícil que alguma vez.
Sabia que tinha todos os motivos para o fazer, que era o mais certo, a atitude sensata. Sabia que a dor ia desaparecer comigo mais depressa do que desaparecia com ele, que o meu sofrimento nada era comparado com o que lhe daria, que o sentimento não era o certo para uma relação de 2 anos...
Ainda assim a dor dilacerou-me. Saiu-me do peito e encheu-me o corpo de forma tão intensa que só conseguia gritar. Gritar o mais alto possível para que de algum modo deixasse de dor, deixasse de me tirar as forças, a vontade, o espírito. Como é que o sofrimento pode ser tanto ao despedirmo-nos de alguém de vontade própria? Como é que é suposto ter a capacidade psicológica de aguentar no dia em que a moeda girar e for eu a sofrer com um punhal no meio do coração?
No entanto estava certa, estive sempre certa. A dor desapareceu com a mesma velocidade com que surgiu. As necessidades de enviar uma mensagem perderam-se, as lágrimas nas noites sombrias secaram, as memórias desvaneceram-se e é isso que tanto me assusta. Como é que alguém que preenche toda a tua vida depois de dois anos desaparece assim, no meio da neblina, do teu cérebro, do teu coração? Como é que 2 anos passam a ser reduzidos a pequenos fragmentos de nada?
Grande parte do tempo mal me lembro de como ele dormia ao meu lado, da maneira como me agarrava nas costas a beijar-me, de como me tocava na cama, de como colaborava com as minhas piadas sem graça, de como éramos um só perto dos nós amigos. E quando me lembro dói um pouco, uma pontada de nostalgia de recordar como era feliz nessas alturas. Não me arrependo nunca de o ter feito, sempre soube que estava a ser uma pessoa maior ao fazê-lo. Ele não era o meu, ainda que eu talvez fosse a dele. Ele não me dava as borboletas que eu precisava e decidi abdicar do que tinhamos, ainda que não saiba se alguém dia alguém me as irá dar. No entanto, não é por isso que um pequeno rastro de saudade não bate de vez em quando, que as poucas memórias não me façam sorrir. Porque a nossa relação foi isso - um sorriso bonito, mas eu preciso de uma gargalhada sonora.
Sinto saudades da íntimidade que uma relação traz, da capacidade de falar de tudo sem nos autocensurarmos, de dormir com alguém ao lado, da possibilidade de beijar alguém a qualquer momento, sem razão aparente. Tenho mais saudades das coisas que estão inerentes a uma relação do que dele propriamente dito, e isso diz muito da minha necessidade em terminar tudo. Assumo que estou bem assim, solteira, pronta a explorar o que me rodeia sem compromissos e apenas com casualidades. Não me sinto amorosamente ressabiada nem assobio descontente aos casais que vejo passar. Estou bem como há muito não estava. Mas todos temos fraquezas, momentos em que nos vemos abaixo e o "e se" nos ataca e o estar sozinho nos assusta. O truque é não as deixar tomar conta de nós, não ficar agarrado a antigas mensagens e momentos que já lá vão. O que vai volta sempre, noutra forma, noutro corpo, noutro homem - quando e se tiver de voltar.
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