domingo, 15 de janeiro de 2017

mudança-

Preciso de mudanças. Acho que é o combustível que me move, a minha versão pessoal e alternativa ao oxigénio.
É um engraçado contrasenso afirmar algo assim, de forma tão directa e assertiva, quando ao mesmo tempo sou uma mulher de hábitos, de conformismo e rotinas exactas. Talvez seja por isso que a mudança se torna algo tão necessário à minha sobrevivência - sem ela eu acabo por me perder, por definhar aos poucos na mundanidade da vida. Inconscientemente sei que planear estas mudanças drásticas e gigantescas na minha vida, existindo em função de um futuro em que elas irão ocorrer, é aquilo que me permite não ir abaixo por completo.

Sou realmente uma eterna insatisfeita, uma revoltada por natureza com tudo o que me rodeia, desejando sempre mais e melhor, ambicionando algo acima, algo diferente. Preciso de mudanças, é certo, porque enquanto as tiver vou acreditando que é no "a seguir" que estará aquilo que eu tanto procuro apesar de, no fundo, saber que nunca vai estar... Será isto apenas uma desculpa dada a mim mesma para continuar a mudar? É provável, mas não creio que seja obrigatoriamente mau.

Não ter medo da mudança é bom, é corajoso, é necessário. Não recear reviravoltas de 180º, novos sítios, novas pessoas, novas adaptações é algo único que creio que poucos conseguem ter dentro de si. E eu tenho-o. Talvez pelas razões mais erradas do mundo (o querer sempre mais do que aquilo que tenho), é a verdade, mas se algo de bom sair dessa insatisfação então que seja valorizado.

E caso tudo corra mal? Muda-se. Quem está mal muda-se, sempre ouvi dizer.

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