Sou uma pessoa saudosista. Alguém tão incapaz de se dar verdadeiramente ao presente que não tira a cabeça do passado. Daquilo que já foi, já acabou, já foi vivido. Sou uma pessoa que sofre também. Sofro com muito, sofro com muito-pouco. E estas são duas das piores características para unir num só ser humano.
A cada instante a minha cabeça vagueia para algo ou alguém que não está neste momento comigo e torna-me incapaz de perceber o que tenho diante dos meus olhos porque nada nunca é bom o suficiente no presente como foi o passado (passado essse que foi, em tempos, um presente).
Barcelona. Pensar em Barcelona dói como nada alguma vez me doeu. E escrever esta mera frase cria-me instantemente uma lágrima que não tarda vai escorrer porque sou uma pessoa saudosista. E uma pessoa que sofre também. Barcelona foi o melhor que alguma vez vivi (atreveria-me a escrever 'viverei' mas não quero ser essa pessoa pessimista e inconformada com o tempo... que irónico), a fase mais bonita da minha vida. Aquela fase em que raramente chorei porque não havia nada com o qual chorar, apenas sorrir, rir, e sorrir de novo porque tudo é tão mágico quando estamos sozinhos com alguém que gostamos numa cidade que nos apaixona a cada suspiro. E aconteça o que acontecer Barcelona não vai voltar. Não assim, não da forma como foi vivida. Não naquela casa horrivel, não com aquelas saídas nocturnas, aquelas bebedeiras sem fim, aquelas pessoas, aquelas idas ao Mercadona, aqueles passeios pelo centro, aquelas viagens de comboio, aqueles caminhares sem fim, aquela Clara. E é tão ridiculo chorar quando o tempo não volta atrás e as lágrimas nunca terão mais poder do que ser meras lágrimas (já escorre). Eu fecho os olhos e aperto-os com força, mas é em vão. Não passam de memórias que já lá vão, de tempos que eu quero voltar a viver com toda a intensidade do mundo e não consigo. Eu não consigo vivê-los de novo e a dor no peito aumenta. Porque ninguém perceber. Raios, nem eu percebo. O porquê de tanto choro, de tanto sofrimento, de tanta memória constante. Afinal de contas, eu já passei por tanto... Barcelona foram 5 meses numa vida. Mas por alguma razão foram os 5 meses mais bonitos.
E se voltasse atrás (oh, se este 'se' fosse possível...) faria tudo igual. Não mudaria nada, nem um segundo, nem um momento, porque Barcelona foi o unico momento da minha vida que vivi no presente. Nunca no passado, porque passado algum se sobreporia à beleza do que eu estava a sentir.
Quero-a de volta. Quero tudo aquilo de volta. E, se não conseguir, quero apenas que as lágrimas parem. Que o peito deixe de doer. Porque são saudades impossíveis de aguentar e nem quero imaginar o dia em que sentirei saudades de pessoas que não voltarão mais.
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